Símbolo supremo da biodiversidade aquática pan-amazônica, o maior golfinho fluvial do mundo possui vértebras flexíveis que giram 90 graus e emite centenas de sons para navegar pelos rios da região.
Quem contempla as águas dos grandes rios amazônicos certamente já se encantou com a beleza graciosa e a coloração rosada de um dos animais mais emblemáticos do planeta. O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), nativo e distribuído por grande parte da bacia amazônica e seus afluentes, como os rios Solimões, Negro, Tapajós, Xingu, Madeira e o próprio Rio Tocantins, que banha a histórica cidade de Cametá , é um dos maiores cetáceos de água doce do mundo. Chegando a atingir cerca de 2,5 metros de comprimento e podendo pesar próximo de 200 quilos, o boto é muito mais que um protagonista das lendas amazônicas: ele também representa a riqueza da biodiversidade e a importância do equilíbrio ecológico dos nossos rios.
Do ponto de vista evolutivo e anatômico, o boto amazônico apresenta adaptações fascinantes que o diferenciam dos golfinhos marinhos. Uma das características mais notáveis está em suas vértebras cervicais, que não são fundidas. Essa particularidade permite maior mobilidade da cabeça, uma adaptação importante para a navegação entre raízes submersas, troncos e a vegetação das florestas inundadas, como igapós e várzeas, durante o período das cheias.
Além disso, seu sistema de ecolocalização, associado ao órgão adiposo frontal conhecido como “melão”, permite que o animal se oriente e localize suas presas mesmo em águas escuras e turvas. Seus sons, como assobios, estalos e cliques de alta frequência, fazem parte de um complexo repertório de comunicação e interação com outros indivíduos.
A lenda do boto é um dos mitos mais conhecidos da região amazônica e faz parte do folclore brasileiro. Segundo a tradição, o boto-cor-de-rosa se transforma em um homem elegante e, vestido de branco e usando um chapéu (para esconder o furo no topo da cabeça, marca de sua forma animal), ele encanta as mulheres, dança com elas e as seduz.
Diz a lenda que, depois do amanhecer, ele retorna às águas do rio, voltando à forma de boto. Muitas vezes, essa história era usada para explicar gestações inesperadas, dizendo que o pai do bebê era “o boto”.
No Oka Restô e Pub, localizado no Baixo Tocantins, essa relação com a Amazônia também está presente na própria decoração do espaço. Os botos tucuxi e cor-de-rosa fazem parte da identidade visual do Oka e estão representados em duas lindas esculturas que decoram o ambiente, trazendo para dentro do restaurante um pouco da paisagem, da fauna e do imaginário amazônico que fazem parte do cotidiano da região.
Mais do que elementos decorativos, essas esculturas representam uma conexão simbólica com os rios e com a biodiversidade que nos cerca. Ter botos cruzando as águas diante de Cametá e ao longo da malha fluvial amazônica é um lembrete da grandiosidade do nosso patrimônio natural.
Celebrar o boto-cor-de-rosa e o tucuxi é também valorizar a ciência, o folclore, a cultura amazônica e a preservação ambiental, inspirando nossa comunidade e nossos visitantes a conhecer, respeitar e proteger os rios que pulsam no coração da Amazônia.

